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Roteiro Digestivo - Latix

Obstipação não é tabu! É saúde!

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Falar sobre obstipação intestinal pode não ser dos temas mais confortáveis, mas é muito mais comum do que se imagina. Trata-se de um problema que muitos preferem evitar, mas que pode afetar significativamente o bem-estar e a qualidade de vida. Reconhecer os sinais e abordá-los com naturalidade com o seu médico é o primeiro passo para cuidar da saúde digestiva.

Durante a consulta, o profissional de saúde fará perguntas para compreender melhor o seu historial clínico, os seus hábitos intestinais e o seu estilo de vida. Serão abordadas questões sobre doenças atuais ou passadas, alterações recentes de peso, cirurgias digestivas, medicação em uso e historial familiar de problemas intestinais ou cancro colorretal. Também será importante descrever a frequência e o aspeto das evacuações, bem como a eventual presença de sangue nas fezes. Por fim, o médico procurará saber mais sobre a sua alimentação, ingestão de água e prática de exercício físico, uma vez que estes fatores têm impacto direto na saúde intestinal.

Além disso, durante a avaliação, o médico realizará um exame físico completo, começando pela verificação dos sinais vitais. Irá também auscultar o abdómen com um estetoscópio e palpá-lo para identificar eventuais zonas de dor, sensibilidade, inchaço ou nódulos. Em alguns casos, poderá ser necessário realizar um exame retal, um procedimento rápido e pouco invasivo que permite detetar alterações ou massas através da introdução de um dedo enluvado no reto. Consoante os sintomas apresentados, o médico poderá ainda recomendar exames laboratoriais ou complementares, como a colonoscopia ou testes específicos de função intestinal, de forma a excluir causas mais graves e orientar o tratamento adequado.

Que exames podem ser feitos para identificar a causa da obstipação?

O profissional de saúde pode optar por não realizar exames, ou por solicitar vários tipos de testes, dependendo dos seus sintomas, historial clínico, estado de saúde geral e da causa suspeita. Na maioria dos casos, não são necessários exames adicionais para se chegar a um diagnóstico. No entanto, com base nos sintomas, podem ser recomendados os seguintes:

  • Exames laboratoriais: Análises ao sangue e urina podem revelar sinais de hipotiroidismo, anemia e diabetes. Uma amostra de fezes pode ser analisada para verificar sinais de infeção, inflamação ou cancro.
  • Exames de imagem: Pode ser solicitada uma TAC (tomografia computorizada), uma ressonância magnética ou um estudo do trato gastrointestinal inferior para detetar outras possíveis causas da obstipação, embora não sejam exames de primeira linha.
  • Colonoscopia: O médico pode realizar uma colonoscopia ou retossigmoidoscopia, que permite visualizar o interior do cólon com uma câmara. Durante o exame, pode ser colhida uma amostra de tecido (biópsia) para análise de cancro ou outras alterações, bem como remover pólipos, se existirem.
  • Estudos de trânsito do cólon: Envolvem a ingestão de uma pequena dose de substância radioativa (em comprimido ou numa refeição), permitindo monitorizar o tempo e o trajeto da substância ao longo dos intestinos.
  • Outros testes da função intestinal: Podem ser solicitados exames para avaliar o funcionamento do ânus e do reto na retenção e expulsão das fezes. Entre eles, destaca-se a defecografia (radiografia específica para esta função), o teste de expulsão com balão e a manometria anorretal, que ajudam a identificar possíveis disfunções na evacuação.

Melhore os seus hábitos e alivie a obstipação

Frequentemente, a origem da obstipação está ligada a aspetos simples do dia a dia, pelo que pequenas mudanças nos hábitos diários podem fazer uma grande diferença. Algumas medidas eficazes incluem: aumentar o consumo de fibras, através da ingestão de alimentos como ameixas, aveia, vegetais, leguminosas e pão integral; beber entre 1,5 e 2 litros de água por dia; praticar atividade física com regularidade; respeitar os sinais do corpo e ir à casa de banho sempre que sentir necessidade; adotar uma posição adequada na sanita (usar um banco para elevar os pés pode ajudar na evacuação).

Se estas mudanças não forem suficientes, o médico poderá recomendar laxantes suaves ou outras estratégias de tratamento. Lembre-se: a obstipação é comum, mas não deve ser ignorada.